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Diário de Bordo

Avaliação em contexto de elearning

O presente diário de bordo refere-se à atividade final da UC de Avaliação em Contextos de Elearning, no ano de 2019. A proposta é apresentar reflexões sobre a realização das atividades, seus produtos e aprendizados ao longo do percurso formativo, incluindo reflexões sobre a temática, que no caso, tomo a liberdade de deixar registrada em cada atividade.

O percurso formativo

A proposta do percurso formativo contemplou quatro atividades, que tinham como objetivo o desenvolvimento das competências:

Analisar a evolução do conceito de avaliação;

Discutir a avaliação pedagógica como processo de assistência à aprendizagem;

Perspetivar a especificidade da avaliação em contextos de Elearning;

Pesquisar e analisar modelos pedagógicos de avaliação em Elearning

Analisar e caraterizar instrumentos de avaliação em contextos de Elearning;

Definir um plano de avaliação de aprendizagens em contexto de  Elearning.

A seguir, destaco cada uma das atividades e algumas reflexões, mas já deixo registrado aqui que, as atividades que seguiram em grupo, procuramos manter com as mesmas integrantes, como a maioria dos demais também o fizeram. Seguimos então Carolina, Luciana, Maria Antónia e eu, Priscila. Com essa forma de organização acredito na consistência do trabalho, uma vez que o grupo se consolida em termos de conhecimento de suas habilidades e competências, mas também pode ser um fator que fragilize o desenvolvimento de outras, já que não há rotatividade de participantes.   

Tema 1: avaliação pedagógica – atuais perspectivas

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A atividade se deu de forma individual, com leitura de um capítulo da literatura disponibilizada – A avaliação em educação: da linearidade dos usos à complexidade das práticas (p. 3-40), de Jorge Pinto, para reflexão e compartilhamento em fórum de duas ideias fortes.

O desafio inicial foi em fazer a seleção de duas ideias-chave, uma vez que o texto apresenta algumas linhas de discussão, que claro, são suplementares. Foi possível tecer um diálogo rico junto aos demais colegas, pois todos, a cada postagem, fizemos conexões e ampliamos entendimentos, além de relações com nossas práticas. Considero que foi uma primeira atividade de alinhamento, entendimento e até descobertas sobre a temática, o que foi de extrema importância para as atividades que seguiram. A base de entendimento sobre a evolução da avaliação e em como esta é crucial em favor da aprendizagem foi o ápice do diálogo e da proposta da atividade, como assim considero. 

Muitas foram as colocações dos colegas, mas quero deixar alguns pontos que me fizeram refletir mais uma vez sobre a importância da avaliação. Os eixos apresentados tocaram no ensinar, no formar e no aprender no qual a avaliação é resultado não só do saber do aluno, mas sim de um processo formativo no qual todos os envolvidos são responsáveis, co-autores e ativos no contexto da mudança em busca de melhores resultados. Além disso, houve algumas postagens sobre o que são competências e os diferentes entendimentos sobre o assunto. Fico então com o que Le Boterf (2003) considera a competência como a “[…] a disposição para agir de modo pertinente em relação a uma situação específica”. Isso precisa ter conexão com as propostas avaliativas condizentes com o cotidiano e com o social, cumprindo com suas funções.   

Acredito que o desafio é o olhar da perspectiva de Lecointe  (In Figari e Achouche, 1990, p. 11) que “considera que se a relação é o verdadeiro centro da avaliação, esta deve ser vista numa perspectiva ética, e não na perspectiva tecnicista”. 

Tema 2: avaliação pedagógica digital em contextos de Elearning

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A atividade em grupo teve como proposta o compartilhamento em um fórum de “uma apresentação sintetizando as especificidades da avaliação em contextos de Elearning e as grandes linhas de força que emergem dos 3 textos”. A partir da leitura desses textos disponíveis, optamos por iniciar a nossa escrita em um documento online colaborativo, o Google Docs. Dividimos as leituras e fomos incluindo as ideias-chave de cada literatura. Além disso, tínhamos um alinhamento constante via Whatsapp, o que facilitou muito o nosso processo.  Antes de disponibilizarmos para o grupo de estudantes, finalizamos o nosso artefato com um design diferenciado, o que contribuiu com o aprendizado de novas ferramentas, por exemplo, o que considero de suma importância para o contexto online no qual estamos inseridas. Claro que contribui também para a nossa formação contínua, uma vez que podemos usar tais novas habilidades no nosso cotidiano. O que, neste caso, cumpre também com a função da avaliação na qual é objeto de nosso estudo.

Ao compartilhar o nosso trabalho, alguns colegas sentiram falta de mais elementos de conteúdos no nosso material. A professora também sinalizou este “ponto frágil”, porém acredito que a proposta foi cumprida uma vez que a síntese também é uma habilidade que precisa ser desenvolvida e exercitada. Aproveito para dizer que o papel da professora Lúcia e da Elizabeth foram de extrema importância quanto aos feedbacks, pois nos fizeram refletir sobre alguns elementos que ainda poderiam fazer do nosso produto melhor, além de contribuir com a nossa aprendizagem e do coletivo.

A discussão junto aos colegas mais uma vez foi rica, pois a cada trabalho era possível identificar elementos suplementares às leituras. Destaco minha interação com o Hugo, quando falamos sobre os mapas conceituais e no uso de rubricas como forma de alinhamento e explicitação das expectativas avaliativas para esse exemplo. Acredito muito nesse tipo de dinâmica e hoje consigo perceber essa importância no processo de aprendizagem, no qual a avaliação se dá em diferentes perspectivas e não somente na classificação, a forma mais usual no contexto da educação (presencial e online).

O meu maior aprendizado nesta atividade se deu na reflexão e entendimento da necessidade de uma mudança de paradigma: do psicométrico ao edumétrico. O olhar para a avaliação como uma oportunidade de incidir sobre o erro que fica explícito no exercício de resolução de problemas do cotidiano, por meio de ambientes online e ferramentas que permitam o experimento, que haja a confiança entre os pares e que os e-tutores, e-professores e e-formadores (tomo a liberdade de uma licença poética de uma discussão da UC de Processos Pedagógicos em elearning) sejam os líderes que inspiram o percurso formativo no qual a avaliação é parte do processo de aprendizagem e não um instrumento de punição e exclusão.  

navegar_internet (2) O acesso ao nosso trabalho se encontra no link: https://drive.google.com/file/d/1hWNSJzAKsA7isJWiVVvt3nF8aJqNSJWb/view

 

Tema 3: instrumentos de avaliação pedagógica em contextos de Elearning

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A proposta desta atividade era de apresentar um “caso real de avaliação alternativa com recurso a ferramentas digitais” fundamentado em literaturas disponíveis. A partir de um artefato digital produzido pelos grupos, a atividade seguia para compartilhamento em fórum de discussões cumprindo com a proposta de desenvolver a competência de “analisar e caracterizar instrumentos/estratégias de avaliação alternativos em contextos do elearning”.  

O grupo escolheu trabalhar com o e-portefólio e, logo no início da divisão dos grupos, foi muito interessante ter o apoio dos demais colegas para o início do trabalho. Considero uma atitude enriquecedora para todos, uma vez que a confiança e o apoio no percurso de aprendizagem é também um fator determinante, afinal, estamos em uma comunidade.

O desafio foi grande pois cada uma de nós tínhamos um entendimento sobre o que deveria ser considerado para o exemplo do e-portefólio, incluindo os diferentes contextos vivenciais, mas, superados os primeiros entraves, o trabalho seguiu sendo estruturado no Google Docs e em constante diálogo no Whatsapp. A partir da finalização do que entendemos ser o artefato final, seguimos para uma proposta de design mais arrojado, porém, tivemos alguns entraves na disponibilização dos links dos vídeos, por exemplo. Prontamente, assumimos a postura de disponibilizar o documento base e mais simples, mas que não comprometesse com o acesso e proveito dos demais colegas, no momento da discussão no fórum alargado.

Também foi uma experiência rica já que havia diversidade de recursos explicitados, como o Wiki, o fórum, o mapa conceitual e o e-portefólio. Apesar de já ter tido contato com todos os recursos, foi muito importante aprofundar nas suas especificidades para que, no momento de uma escolha de recursos, em um percurso formativo, haja a consciência sobre o propósito a que se destina e não seja uma mera escolha de diversidade de instrumentos online.

O aprofundamento com os onze parâmetros elencados para a Wiki como forma alargada de avaliação foi o que me chamou a atenção. Fato que culmina no uso de rubricas de forma a explicitá-los e foi mais uma forma de verificar o seu uso, como iniciado nesta UC. Já sobre os mapas conceituais foi importante a distinção entre estes e os mapas mentais, pois muitas vezes são usados de maneira errônea, mas com o mesmo significado. Fez-me lembrar de uma conversa estabelecida entre mim e o Hugo sobre este assunto. Acredito nessa construção coletiva de conhecimento e que faz sentido para o nosso aprendizado. O próprio fórum tão usado nos cursos online, que pode ter uma potencialidade pouco explorada pelos agentes de aprendizagem, seja o professor, o tutor e até mesmo o aluno. Acredito que na nossa turma, conseguimos tirar o melhor proveito desse recurso, uma vez que a nossa interação vai para além de respostas ao enunciado da atividade, pois o aproveitamos enquanto uma comunidade de práticas elevando nossos patamares de aprendizagem. Por último, o e-portefólio, recurso estudado pelo grupo a que atuei, que ao estudar o caso pude compreender ainda mais o seu propósito. Ao aluno é dada a oportunidade de reflexão sobre o seu percurso de aprendizagem, o que o permite identificar oportunidades para novos caminhos; ao professor/tutor/formador permite que reflita também sobre a sua didática e na possibilidade de novos rumos, incluindo a identificação das necessidades formativas; à instituição pode ser um instrumento rico de informações que podem refletir sobre mudanças conceituais e estruturais, por exemplo, da oferta de seus cursos, uma vez que na leitura da narrativa dos alunos é possível identificar seu caminho de aprendizagem, modelos de estudo, habilidade e competências desenvolvidas ou não. É, na verdade, um recurso para exercício ao longo da vida e que ainda precisa se melhor aproveitado!          

navegar_internet (2) O acesso ao nosso trabalho se encontra no link: https://docs.google.com/presentation/d/18gHh8Q0VntOfm4KFZznE8AfbJDiKBjj772F3H2bLxA4/edit#slide=id.g576027f50f_1_0

Tema 4: procedimentos e critérios de avaliação pedagógica num contexto online

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A atividade mais desafiadora foi esta, pois houve entendimentos diversos sobre a proposta da atividade. Nesse sentido, o diálogo ampliado com o coletivo trouxe um alinhamento das expectativas da tarefa. Assim, o grupo seguiu com uma conversa sobre quais caminhos trilhar. Interessante também a diversidade cultural entre nós: Brasil e Portugal, demonstrando que é possível, por meio de um curso online como este, chegarmos ao denominador comum. Foi rica a troca de saberes até delimitarmos a nossa proposta formativa.  A atividade propunha a “definição de um módulo de formação (tema ao critério do grupo) com especial relevo para o plano de avaliação: descrição detalhada das atividades e procedimentos de avaliação programadas”. Partindo dessa ação, a proposta era a de compartilhar o documento no fórum para que os colegas fizessem sugestões de melhorias para posterior ajuste, por parte do grupo, cumprindo com as duas entregas.

O grupo seguiu para a proposta de formação de quatro módulos sobre a prática do coordenador pedagógico, temática que considero importante no contexto educacional brasileiro e que Antónia, em atenção ao contexto português, também trouxe elementos fundamentais e convergentes com a temática. Um adendo que faço aqui é que, para esta atividade, tivemos a baixa da Carolina e da Luciana, devido a questões particulares. Assim, seguimos Antónia e eu na caminhada. 

O desafio seguiu para a estruturação da proposta avaliativa e na distribuição de valores. Propomos fóruns, Wiki, a avaliação por pares e o e-portefólio como instrumentos avaliativos, fazendo remissões ao que estudamos anteriormente. Acreditamos ser uma proposta enriquecedora para os profissionais da área, se levarmos em consideração o paradigma edumétrico, já estudado.

No compartilhamento com os colegas foi possível perceber pontos de atenção e de melhorias, inclusive saliento o feedback minucioso da professora Lucia, principalmente em atenção às competências. Percebi que foi um ponto de atenção comum aos grupos e que se faz necessária uma atenção especial, já que, logo no início desta UC o tema das competências apareceu com destaque em alguns momentos. A professora Lucia ainda nos deixou um comentário valioso e que acredito que seja um primeiro ponto importante a se atentar: “o que se avalia (produtos, processos), como se avalia (que instrumentos se usam), quem avalia (quem são os avaliadores? O professor? O aluno? Os pares?, Todos eles?) e como se avalia (ou seja com que critérios se avalia). Claro que não se resume a isto uma proposta formativa, mas já pode ser um primeiro brainstorming para posterior desenvolvimento mais minucioso.

O que me chamou mais a atenção foi o Modelo PrAct no qual Pereira, Oliveira e Tinoca (2010) apresentam uma visão holística da avaliação em quatro dimensões: praticidade, consistência, autenticidade e transparência). Visão esta que hoje faz sentido ao meu ver com a cultura da avaliação e não a do teste, na qual estava mais acostumada a desenvolver e a ter contato. 

“Na sociedade de conhecimento, as exigências já não são as da sociedade industrial que determinaram a criação do modelo de Escola Transmissiva que ainda hoje prevalece, em larga medida”. (Amante, Pereira e Oliveira, 2017). Ainda temos esse desafio de estruturar modelos avaliativos convergentes com o desenvolvimento de competências, tão necessária em tempos atuais.

Acredito que se cumpriu o propósito do desenvolvimento das competências elencadas ao longo desse percurso formativo, principalmente quando se trata do uso da avaliação em assistência à aprendizagem.

Por último, mas não menos importante, foi a avaliação por pares sugerida no final da UC. No início, recebida com um pouco de desconforto, mas após os esclarecimentos sobre a sua importância, foi possível perceber o valor desse recurso ao retomar cada atividade em observância aos contributos de cada estudante. Foi possível perceber e identificar o fio condutor de cada postagem como forma a tecer um caminho construtivo naquela comunidade de aprendizagem. Um exercício para o nosso cotidiano que é pouco exercitado, mas que muitas vezes está embutido em práticas mais veladas.

 

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e-tutor? e-professor? e-formador?

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Docente: Lina Morgado
Junho de 2019
Equipa: Carol Vieira, M. Antónia Brandão e Priscila Pires

A designação não merece unanimidade, mas parece haver acordo que as ideias tradicionais sobre o papel do professor e do tutor em contexto de educação a distância, já se tornaram ultrapassadas, frente às novas exigências no campo do ensino e da aprendizagem. Era comum associar a figura do tutor a alguém que não ensinava, pois essa função ficava a cargo dos materiais produzidos, como “pacotes autossuficientes sequenciados e pautados, que finalizava com uma avaliação semelhante em sua concepção de ensino” (Litwin, 2001 como citado por Machado e Machado, 2004). 

A discussão sobre a educação a distância tem vindo a  ganhar relevo ao longo dos últimos anos, principalmente pelos avanços das tecnologias da informação e comunicação. O facto é que, para este último ponto, ressaltam aos olhos as relações interpessoais, seja nas instituições disseminadoras de cursos online, envolvendo professores e tutores, autores e aprendentes, materiais didáticos e, até mesmo, com e entre os aprendentes, de modo a organizarem um percurso de aprendizagem em rede.

Diante disso, e das novas concepções de ensino e aprendizagem, a função, a prática e o papel do professor precisam ser repensados para que não haja reproduções do fazer pedagógico de um ambiente presencial para o online, por exemplo, e até mesmo em relação ao único ator como detentor do saber. 

É necessário assumir uma nova condição de co-ator, mediador, facilitador e um incentivador das práticas dos aprendentes, desenvolvendo também competências tecnológicas e sociais, de forma a oportunizar o percurso individual e coletivo. Cabe ainda às suas funções, a responsabilidade de planear, organizar, implementar, orientar e avaliar a ação de formação ao usar um conjunto de estratégias pedagógicas necessárias para lhes assegurar uma experiência de aprendizagem enriquecedora, apoiando as interações que ocorrem no processo. Interações essas que, segundo Pierre Lévy (2000, como citado por Machado e Machado, 2004), deslocam a figura do “professor transmissor de conhecimentos”, para àquele que valoriza a parceria no desenvolvimento cognitivo, “elaborando-se situações pedagógicas onde as diversas linguagens estejam presentes (…)” como “instrumento fundamental de mediação”, além de serem “as ferramentas reguladoras da própria atividade e do pensamento dos sujeitos envolvidos”. 

Um dos aspetos importantes para essa discussão é o alinhamento da proposta pedagógica à ação da tutoria da sala de aula virtual, para que se cumpra o vértice da orientação, da docência e da avaliação. 

“o tutor a distância é também um docente e não simplesmente um animador ou monitor neste processo, e muito menos um repassador de pacotes instrucionais. Este profissional, como mediador pedagógico do processo de ensino e de aprendizagem, é aquele que também assume a docência e, portanto, deve ter plenas condições de mediar conteúdos e intervir para a aprendizagem. Por isso, na prática, o professor-tutor é um docente que deve possuir domínio, tanto tecnológico quanto didático (Bruno e Lemgruber, 2010, p. 75, como citado por Safanelli, Andrade, Brito, Klaes, Eyng e Ulbricht, 2019).”

Outro aspeto a considerar é a formação desse agente, pois além de ter participação na proposta pedagógica, precisa ainda ter uma visão sistêmica e de liderança, já que é corresponsável pela atitude protagonista dos aprendentes. Nesse sentido, é importante que ele invista em constante aprendizagem, esteja ao serviço do processo educacional, tenha atitude e espírito de equipa, invista no potencial de outros e seja seguro de si. Isso ratifica a necessidade de investimento nas formações de tutores para que essas atitudes também sejam desenvolvidas, considerando o cognitivo, a intra e a interrelação dos sujeitos com os saberes e com os pares, que vai para além da competência técnica. Além de conhecer os conteúdos dos cursos, ele precisa estar atento ao grupo de aprendentes, ao considerar a equidade, com competência ética e emocional. Collins e Berge (1996, apud Palloff; Pratt, 2002, como citado por Machado e Machado, 2004) classificam a função do professor online em quatro áreas: pedagógica, gerencial, técnica e social.

Assim, é importante que, nas instituições de ensino, haja um planeamento coerente que contemple o diálogo entre os diferentes profissionais, desde a produção de conteúdos, passando pelo plano de tutoria, até aos valores da própria instituição, a escuta dos aprendentes, a capacitação de e-tutores e a sua valorização.  

A concepção e planeamento dos cursos é fundamental para a realização de ações de formação, sendo apontada a flexibilidade na gestão do tempo e do ritmo de trabalho por parte dos formandos, como uma das grandes vantagens dos cursos em regime de e-learning. O aspeto mais valorizado pelos alunos em ações formativas é o feedback, ou seja, a disponibilidade de resposta e comentário dos e-tutores. Esse é um suporte formativo pode influenciar positivamente na satisfação dos aprendentes, inclusive na baixa taxa de desistência em um curso. 

Assim, a temática da importância do tutor não é recente no contexto da educação a distância, e os mais recentes desenvolvimentos na área, implicam novos modelos e novas visões sobre a tutoria e o seu papel, inclusive frente aos novos rumos da sociedade.

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“A vida, no que tem de melhor, é um processo que flui, que se altera e onde nada está fixo.” Carl Rogers

Referências

Rodrigues, E. (2004). O papel do e-formador (formador a distância). In Dias, A. A. S., Gomes, M. J.(Coord). “e-Learning para e-Formadores”. Guimarães: Tecminho. ISBN 972-8600-15-1. p. 73-98. Disponível em:  http://hdl.handle.net/1822/6412

Nascimento, L. do, Leal, M., Spilker, M., Morgado, L. (2015). Tutoria e Tutor em Educação a Distância: Retratos do Presente versus Visões para o Futuro. EAD EM FOCO, 5(1). Disponível em: https://doi.org/10.18264/eadf.v5i1.296 

Machado, L.D., Machado, E.C. (2004). O papel da tutoria em ambientes de EAD. 11° Congresso Internacional de Educação a Distância, Salvador, Bahia.  Disponível em: http://www.abed.org.br/congresso2004/por/htm/022-TC-A2.htm

Safanelli, A. S., Andrade, D. F., Brito, J., Klaes, L. S., Eyng, L.M., Ulbricht, V. R. (2019). Educação a Distância: as características do líder aplicada ao papel do tutor no processo de ensino aprendizagem. Revista Ibérica de Sistemas e Tecnologias de Informação, Lousada, 17, 39-47.  Disponível em: https://search.proquest.com/openview/77d7d0f4e35e4177b760c2cfb29b849e/1?pq-origsite=gscholar&cbl=1006393

Publicado em PPE

A pedagogia do eLearning

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Professora: Lina Morgado

Temática 1 – A pedagogia do eLearning

Bibliografia anotada

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Machado, L.D., Machado, E.C. (2004). O papel da tutoria em ambientes de EAD. 11° Congresso Internacional de Educação a Distância, Salvador, Bahia.  Disponível em: http://www.abed.org.br/congresso2004/por/htm/022-TC-A2.htm

O presente trabalho apresenta aspectos relevantes sobre o papel do professor e do tutor em contexto de educação a distância, uma vez que, a ideia tradicional sobre ambos já se tornou ultrapassada frente às novas exigências no campo do ensino e da aprendizagem. Diante disso, a função, a prática e o papel do professor precisam ser repensados para que não haja reproduções do fazer pedagógico de um ambiente presencial para o online. É necessário assumir uma nova condição de ator mediador, facilitador e um incentivador das práticas dos aprendentes, desenvolvendo também competências tecnológicas e sociais, de forma a oportunizar o percurso individual e coletivo. Um dos aspectos importantes para essa discussão é o alinhamento da proposta pedagógica à ação da tutoria da sala de aula virtual para que se cumpra o vértice da orientação, da docência e da avaliação. A temática é relevante para que, nas instituições de ensino, haja um planejamento coerente que contemple o diálogo entre os diferentes profissionais, desde a produção de conteúdos, o plano de tutoria, as valores da própria instituição, a escuta dos aprendentes, a capacitação de tutores e a sua valorização.

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Safanelli, A. S., Andrade, D. F., Brito, J., Klaes, L. S., Eyng, L.M., Ulbricht, V. R. (2019). Educação a Distância: as características do líder aplicada ao papel do tutor no processo de ensino aprendizagem. Revista Ibérica de Sistemas e Tecnologias de Informação, Lousada, 17, 39-47.  Disponível em: https://search.proquest.com/openview/77d7d0f4e35e4177b760c2cfb29b849e/1?pq-origsite=gscholar&cbl=1006393

A discussão sobre a educação a distância vem tomando contornos ao longo dos anos, principalmente pelos avanços das tecnologias da informação e comunicação. Fato é que, para este último ponto, ressalta aos olhos as relações interpessoais, seja das instituições disseminadoras de cursos online, pelos professores e tutores, pelos materiais didáticos e até mesmo com os aprendentes, de modo a organizarem um percurso de aprendizagem em rede. Por meio de revisão bibliográfica qualitativa, os autores buscaram características no processo pedagógico de ensino e aprendizagem na EaD, no qual se considera o professor-tutor um agente essencial, pois além de ter participação na proposta pedagógica, precisa ainda ter uma visão sistêmica e de liderança, pois é co-responsável pela atitude protagonista dos aprendentes. Nesse sentido, é importante que ele invista em constante aprendizado, esteja a serviço do processo educacional, tenha atitude e espírito de equipe, invista no potencial de outros e seja seguros de si. É importante então que haja investimento nas formações de tutores para que essas atitudes também sejam desenvolvidas, considerando o cognitivo, a intra e a inter-relação dos sujeitos com os saberes e com os pares, que vai para além da competência técnica.

Publicado em MED

Teóricos da EaD

Debate sobre os teóricos de educação a distância

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      Após trabalho realizado em equipe no qual cada uma discorreu sobre um teórico, a atividade seguiu para um debate coletivo e, para encerrar as tarefas propostas, a sugestão foi:  

  • síntese do vosso pensamento em relação aos vários autores:

      Ao mesmo tempo que estudamos teóricos que já iniciaram com suas experimentações sobre educação a distância mesmo antes das tecnologias digitais na web, os mesmos estudos continuam a fazer sentido e pautando a aprendizagem a distância, hoje com a utilização de uma rede cibernética, afinal, são novos tempos. Para lançar mão de algumas ideias sobre os teóricos estudados até então, inicio com o artigo 80 da Lei 9.394, de 1996, que regulamenta o ensino a distância no Brasil:

 ‘’Art. 1º. Para os fins deste Decreto, considera-se educação a distância a modalidade educacional que busca superar limitações de espaço e tempo com a aplicação pedagógica de meios e tecnologias da informação e da comunicação e que, sem excluir atividades presenciais, organiza-se segundo metodologia, gestão e avaliação peculiares.’’

      A partir dessa perspectiva também legal, é possível identificar sobre as contribuições dos teóricos: O olhar de Holmberg para os materiais autoinstrucionais no qual a organização de conteúdos é fator essencial para que o aluno se sinta motivado e desafiado para aprender e que o faça buscar novos meios, recursos e sentidos, por meio da sua autonomia, como aqui destaca Wedemeyer.  O contributo de Anderson sobre a importância de ambientes de aprendizagem eficazes (Teoria da aprendizagem – lentes de Bransford) que consideram a comunidade, o conhecimento, o estudante e o processo de avaliação agregadas às características da internet e na potência da comunidade de inquirição no qual a aprendizagem se dá pela presença social, cognitiva e de ensino. Além disso, esse mesmo autor nos faz refletir sobre as possibilidades de conteúdos, ferramentas, interações e organização institucional diversificadas frente as necessidades dos estudantes, em todos os tempos pois não estamos falando de um elemento estático, afinal a aprendizagem é constante. Por fim, mas não menos importante, Moore deixa sua marca ao tratar da distância transacional no qual a redução do impacto da distância temporal e espacial se dá pelo diálogo entre os envolvidos ao longo de um curso de modo que haja uma sinergia convergente para o favorecimento do ensino e aprendizagem.

  • afinal qual o contributo de Holmberg para o desenvolvimento do que é o ensino a distância hoje?

      O contributo que Holmberg deixa para a educação a distância com a “Conversação Didática Guiada” é a interação do estudante com o conteúdo ou tema de estudo. Interação esta conhecida como “conversa didática interna”. É um processo de interação intelectual que o conduz para as mudanças necessárias para a alteração das estruturas cognitivas de sua mente, como um caminho independente. Essas contribuições impactam no desenvolvimento de materiais auto-instrucionais, nos quais estes precisam ser desenhados de forma a facilitar o diálogo do aluno com o conteúdo, além de serem inspiracionais para o seu caminho de aprendizagem. É preciso envolver o estudante para que ele se sinta cada vez mais convidado a alcançar patamares mais elevados de conhecimento. Isso também favorece as interações entre os alunos e os professores, pois o diálogo amigável é um catalizador de experiências que pode aguçar a criatividade e fazer sentido entre a temática e o cotidiano.

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Publicado em ESR

Autenticidade e transparência na rede

“Buscar a perfeição? Não sejas vulgar. A autenticidade é muito mais difícil”.               Mário Quintana

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Fonte: https://conteudo.imguol.com.br/blogs/86/files/2015/07/Fotolia_81277261_XS.jpg

Em tempos de velocidade na informação em que algo muda em fração de segundos, estar atento aos desafios da dinâmica do ciberespaço é parte do nosso cotidiano, afinal “quanto ao neologismo “cibercultura”, especifica aqui um conjunto de técnicas (materiais e intelectuais), de práticas, de atitudes de modos de pensamento e de valores que se desenvolvem juntamente com o crescimento do ciberespaço”. (Lévy, 1999, p. 17).

Novas formas de entendimento das relações interpessoais e da disseminação de informações em dados, resvalam em atitudes de todos nós, seres em constante desenvolvimento e mudanças.

Não estamos falando das relações entre as pessoas, mas sim sobre a forma de comportamento no qual o acesso à internet (às novas tecnologias) impactam no nosso modo de atuar nesse grande teatro da vida.

Vamos a um exemplo: no Brasil, no ano de 1992, um grande grupo de jovens ficou conhecido como os “caras pintadas”. Grupo que saiu às ruas para pressionar o presidente Fernando Collor de Mello a renunciar ao poder. A mídia de massa divulgava informações e manifestações nas ruas, porém, não sabemos a que interesse, de fato, a cobertura jornalística se pautava. Assim, o que coube ao povo, foi sair às ruas, com a “cara pintada” em um grande movimento coletivo para lutar a favor de seus interesses. Já em tempos atuais, as redes sociais são usadas para favorece esses movimentos (não entro aqui no mérito da causa), pois cada manifestante na rua pode fazer uma foto, uma selfie, e publicar em sua rede social como forma a informar em tempo real sobre o fato. O que o torna um ator ativo no processo de disseminação de informações e não mais um passivo diante dos meios de massa. As imagens capturadas e disseminadas “falam” mais do que grandes reportagens de veículos impressos, por exemplo, e, essa identidade assumida em tempo real pode influenciar outros “nós”.

Estamos diante de “nós” mesmos, que envolve cada ser humano conectado, cada instituição, cada doutrina, política e efeito que culmina em uma grande rede de saberes e modos. A configuração das redes decorre das nossas formas de expressão, do estar com o outro num espaço geograficamente diferente e em tempo cronologicamente não real. Assim, “uma das chaves do comunitário é a ausência de transitório, a permanência. Assim, pode-se partilhar uma história, uma memória. Com a continuidade, vem a possibilidade de construir normas sociais, rituais, sentido. Aprende-se, aos poucos, na medida em que se estabelece uma cultura online, com experiências comuns, a confiar uns nos outros.” (Turkle, 1999: 120, citado por Ferreira, 2012, p. 188).

E nesse mundo real, debruçado em um espaço cibernético, o perfil que cada ator assume pode apresentar um pouco de si, do seu desejo, do seu “eu” imaginário, do seu poder e das mais variadas nuances que trazemos como forma de liberdade. Assim, o “eu” que também está no outro, não depende mais de “aceite” para registrar o que pensa, por exemplo. Os recursos tecnológicos em suas mais variadas ferramentas de exposição nos permitem dialogar com um universo infinito de saberes.

E nesse diálogo estão as escolhas, os filtros, as seleções que fazemos, mas também nos deparamos com registros infinitos que podem nos levar ao universo de informações falsas, daquelas que são disseminadas com o único objetivo de influenciar e tendenciar algum interesse de uma minoria.

Um outro exemplo: o abalo na credibilidade das eleições dos Estados Unidos com a divulgação de que os russos disseminaram notícias falsas e que interferiram nas eleições de 2016.

Fazendo um parêntese: Mesmo com toda essa liberdade cibernética, não podemos deixar de explicitar que existem princípios de segurança da informação, muito comum nos ambientes corporativos, mas que podem nos guiar ao sermos protagonistas nos ambientes virtuais. A ABNT NBR ISO/IEC 17799, de 2005 apresenta elementos sobre o uso de cópias de segurança, propriedade intelectual, uso de criptografia, eficácia de sistemas, confiabilidade, integridade dos dados, mecanismos de autenticação de usuários, entre outros.

Nesse desafio de tempos atuais, fica a dica sobre como identificar notícias duvidosas e, caso haja incertezas, não dissemine, não encaminhe para seus grupos, pois a sua rede pode ficar contaminada e perder a credibilidade.

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No Brasil, a Lei N° 12.965/14, também conhecido como o Marco Civil da Internet, busca regular o uso da internet considerando princípios, garantias, direitos e deveres, bem como suas diretrizes para quem usa e dispõem da rede.

Para além das informações consideradas manipuladoras, ainda estão aquelas que são passadas de “mão em mão” por não serem checadas, confirmadas. Pessoas perdem sua credibilidade até por não darem conta de lerem e interpretarem a mensagem da informação, da notícia. Noutros casos, pessoas se tornam públicas e ídolos por apenas iniciarem uma onda de corpos bonitos, tendências de roupas, lugares e opiniões como num narcisismo digital, o famoso “espelho, espelho meu!”.

Assim, quão autêntico se sustenta em um espaço virtual?

Autenticidade esta que precisa estar em equilíbrio com o “eu interior”, o meu “eu exterior” e ainda com o “nós conectados”.

Referências

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