Publicado em MRE

REA – Fonte e Repositórios

Em atendimento à atividade proposta na Unidade Curricular Materiais e Recursos para eLearning, serão disponibilizadas três fontes de repositórios de recursos educacionais abertos.

Para um breve contexto, a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), considera que “os REA são materiais para ensinar, aprender e pesquisar, que estão em domínio público ou são publicados com uma licença de propriedade intelectual que permite sua livre utilização, adaptação e distribuição”.

Em tempos de colaboração em rede é “onde educadores e estudantes criam, moldam e desenvolvem conhecimento de forma conjunta, aprofundando seus conhecimentos e habilidades e melhorando sua compreensão durante o processo” (Declaração de Cidade do Cabo para Educação aberta (2007) de ensino e aprendizagem, no qual se mobiliza a todos para um “tipo de cultura participativa, de desenvolvimento, partilha e cooperação que a rápida evolução das sociedades do conhecimento precisam”. Dessa forma, um dos benefícios dos REA é “a democratização do conhecimento que multiplicam ao possibilitar a partilha, a coaprendizagem e coautoria do conhecimento (Johnson et al, 2012, como citado por Nobre e Mallmann, 2016).

Nesta perspectiva, “a chave é a possibilidade de participar efetivamente da produção de conhecimento, tanto para resolução de problemas locais, quanto para ampliação do campo cognitivo da humanidade em larga escala, como afirmam Nobre e Mallmann (2016), e não apenas em haver espaços e recursos disponíveis que só se permitam a reprodução sem a oportunidade da reflexão sob o contexto. É um importante caminho para o desenvolvimento de competências e habilidades que vão ao encontro também do documento orientador da Base Nacional Comum Curricular do Brasil, que visa a  aprendizagem orgânica e que uma das competências a serem desenvolvidas juntamente com o currículo é “compreender, utilizar e criar tecnologias digitais de informação e comunicação de forma crítica, significativa, reflexiva e ética nas diversas práticas sociais (incluindo as escolares) para se comunicar, acessar e disseminar informações, produzir conhecimentos, resolver problemas e exercer protagonismo e autoria na vida pessoal e coletiva”.

Em se tratando de universo escolar, “os REAs são uma presença obrigatória na aprendizagem do futuro, ao promoverem a criatividade, valorizarem a essência humana e construírem uma inteligência coletiva”, como afirmam os autores Pereira, Rosa e Nobre, 2016. Além disso, de acordo com Nobre e Mallmann (2016), “os REA desafiam os professores a se tornarem autores e coautores em rede como exercício das competências didáticas, da autonomia profissional e do desejo mobilizador das inovações” também  pedagógicas e, na criação de conhecimentos individual, com estudos e pesquisas, até a aprendizagem colaborativa (Plano de Ação de REA, 2017).

São muitos os esforços coletivos em busca de uma educação de qualidade, acessível para todos e, nesse contexto, a Declaração REA de Paris, 2012, reforça “a promoção da utilização dos REA com vista a ampliar o acesso à instrução em todos os níveis, tanto à educação formal como não-formal, numa perspectiva de aprendizagem ao longo da vida”. Pode ser uma oportunidade, inclusive enquanto políticas públicas, para ancorar processos que visam a sustentabilidade e a equidade social, em respeito a todos os indivíduos, inclusive para o atendimento ao objetivo 4, da Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas (ONU), que tem como objetivo “assegurar a educação inclusiva e equitativa e de qualidade, e promover oportunidade de aprendizagem ao longo da vida”.

Para o referido trabalho, a escolha se deu pela seleção de uma fonte de busca de REAs, a nível mundial e, de dois repositórios brasileiros que abrem espaço para que a educação pública se fortaleça no campo da inovação.

1- Fonte de repositórios REA – OER World Map

OER World Map é uma plataforma para disponibilizar dados, experiências e informações sobre educação aberta, com o propósito de facilitar o acesso entre pessoas, instituições e comunidades. Está no ar desde 2014, sendo construído pela HBZ e Graphthinking GmbH, em associação com a The Open University (Reino Unido), financiada pela Fundação William e Flora Hewlett. É a oportunidade de ter em mãos uma visão geral sobre o cenário da educação aberta no mundo, além de um espaço para que haja colaboração sem fronteiras, uma das premissas dos REAs, no qual prevalecem os diálogos para o engajamento de diferentes frentes (pública, privada, individual, coletiva).

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Figura 1: Plataforma OER World Map – Pesquisa

Não havendo restrição de acesso às informações, qualquer pessoa pode pesquisar sobre o assunto em um mapa do mundo, além de poder colaborar ao disponibilizar seu próprio trabalho. Para esta ação, é necessário estar logado, ou seja, criar um usuário de acesso. A plataforma utiliza um sistema de login de código aberto (Keycloak), no qual as senhas são armazenadas criptografadas, sendo uma forma mais eficiente para a proteção de dados dos usuários. Acredito que este seja um importante ponto de atenção a ser considerado para que as pessoas sintam segurança ao expor a sua privacidade, sendo fundamental para ações colaborativas. A transparência é necessária quando falamos de exposição de dados pessoais e também ao trabalho que realizamos em rede. Aqui está um processo de confiança importante em uma comunidade, afinal se compartilhamos informações, experiências e pesquisas, atuamos em rede. Essa transparência também se dá ao acessar, na plataforma, um campo de devolutivas para a própria comunidade (giving back to the community) em que as pessoas podem enviar suas questões (sugestões, melhorias, dicas, perguntas) e ainda podem acompanhar a documentação sobre o andamento das soluções via GitHub. Por ser 100% plataforma aberta, também é possível edições em seu código fonte. Nesse caso, está disponível uma documentação online que auxilia o usuário editor a tomar decisões sobre a possível edição. Também está disponível um blog em que os usuários podem acompanhar notícias, atualizações, eventos e datas de reuniões em que o coletivo é bem-vindo. É um importante instrumentalizador para a tomada de atitudes conscientes.

A plataforma está sob licença “Atribuição 4.0 Internacional (CC BY 4.0), tendo os conteúdos disponíveis sob licenças abertas diversas.

O campo de busca (find) é amplo podendo ser pelo menu superior ou pela busca em filtros no mapa do mundo, como na figura 1. O que chama a atenção ‘a diversidade de possibilidades de busca de informações diversas, além de filtros por assunto da pesquisa desejada. O que vai ao encontro do contexto a que necessita o usuário.

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Figura 2: Plataforma OER World Map – Pesquisa 2

Ao fazer a busca e selecionar um recurso, uma ficha técnica é disponibilizada com dados para auxiliar o usuário a identificar informações sobre o recurso, incluindo o público-alvo e a licença que está disponível. No resultado da busca, ainda é possível fazer outras buscas a partir de pré-seleção estipulada.

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Figura 3: Plataforma OER World Map – Resultado de Pesquisa

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Figura 4: Plataforma OER World Map – Resultado de Pesquisa

É um primeiro contato com informações que podem ser úteis para o seu contexto e suas necessidades.

Para adicionar (add) um recurso, a exigência que se faz é o alinhamento da informação a ser postada com a Declaração da Cidade do Cabo e Declaração REA de Paris, 2012, além de estar logado na plataforma. Ao escolher uma temática, um formulário será disponibilizado para que sejam inseridas as informações necessárias à publicação.

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Figura 5: Plataforma OER World Map – Inclusão de recurso

Na plataforma, também é disponibilizado um endereço de contato (e-mail) para que os usuários entrem em contato caso tenham quaisquer dúvidas.

É uma fonte de recursos educacionais abertos mundial que possibilita a qualquer pessoa estar inserida em uma comunidade que valoriza e dissemina esses conteúdos, para a aprendizagem ao longo da vida. É de fácil acesso e consulta, pois além de visualmente fácil e clean, é possível desde pesquisas básicas até as mais avançadas, dependendo da combinação de informações. Também tem uma abordagem organizacional de qualidade.

2 – Repositório REA – Plataforma Integrada de Recursos Educacionais Digitais

Uma iniciativa do Ministério da Educação do Brasil, a Plataforma Integrada de Recursos Educacionais Digitais  (MEC RED), criada com software livre, é um referatório (armazenados em sites de parceiros, mas acessado via plataforma) e um repositório (armazenados na própria plataforma) de conteúdos para a educação básica brasileira. Como propósito, sugere a valorização da diversidade na educação, da autonomia e fomento à cultura digital e de rede, no âmbito da educação básica, ensino superior e a distância.

Considera-se as informações da Declaração REA de Paris (2012) como premissa para a disponibilização de recursos sob “domínio público ou que tenham sido divulgados sob licença aberta que permita acesso, uso, adaptação e redistribuição gratuita por terceiros, mediante nenhuma restrição ou poucas restrições”. Exceto em casos indicados de outra forma, a licença de conteúdos da plataforma será pública, nos termos CC BY-SA.

Possui um termo de uso online que orienta o usuário sobre as informações para cadastro, acesso aos recursos e responsabilidades. São informações úteis para um usuário inexperiente, contudo, não oferece suporte nem ferramentas de licença aberta para produção de recursos abertos.

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Figura 6: Plataforma MEC RED

Na plataforma é possível baixar e compartilhar recursos, inclusive de formação. E, enquanto proposta de rede, é possível relatar experiências, criar uma coletânea e seguir usuários.

As pesquisas podem ser feitas pelo menu principal “recursos educacionais digitais”, “materiais de formação” e “coleções dos usuários”. Para cada menu, são disponibilizados os mais recentes.

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Figura 7: Plataforma MEC RED – Pesquisa

Além disso, podem ser feitas utilizando filtros pré-definidos. Isso pode facilitar para uma busca mais assertiva. Ao escolher um recurso, uma ficha técnica é disponibilizada para o usuário.

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Figura 8: Plataforma MEC RED – Resultado da pesquisa

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Figura 9: Plataforma MEC RED – Resultado da pesquisa (continua)

As informações contidas nessa espécie de ficha, facilita para o primeiro contato do usuário frente às suas necessidades. Ainda é possível, além de compartilhar / guardar o recurso, registrar a experiência ao usar o recurso. Este é um importante espaço para fomento da rede.

Caso haja interesse na publicação de conteúdo, por parte do usuário, é necessário logar na plataforma, aceitar um termo de uso e um termo de permissão para a sua publicação. Após o aceite dos termos, é disponibilizado um espaço para inserir as informações do recurso a ser publicado.

A escolha dessa plataforma se deu pela navegação intuitiva, é visualmente fácil de localizar informações, além de apresentá-las de forma organizada. Porém, ao realizar uma pesquisa diversificada, a qualidade parece não se manter, o que se pode inferir não haver curadoria para as publicações, mesmo estas sendo de responsabilidade do usuário. Também pode ser um indicativo de que ainda falta preparo técnico, em habilidades e competências, para esse exercício. Percebe-se também que, ao se tratar de uma necessidade de adaptação, não são todos os recursos que possibilitam esse feito, como em uma imagem, por exemplo, no formato .jpeg. Ao usuário não foi disponibilizada informações sobre fonte, imagem de fundo etc. Isso pode dificultar readaptações a serem feitas no recurso.

3 – Repositório REA – Plataforma Escola Digital / Escola Interativa MG

A escolha pela rede Plataforma Escola Digital se deu por ser um espaço de compartilhamento de recursos educacionais abertos no qual os profissionais da rede pública de ensino possam ter acesso aos mais variados recursos para contribuir com sua prática pedagógica.

Ao fazer um recorte, em 2015/2016, a Secretaria de Educação do Estado de Minas Gerais e a Plataforma Escola Digital, fecharam uma parceria para customizar e gerar a Plataforma Escola Interativa, sendo esta lançada no ano de 2017. Até o ano de 2018, foram mais de 3,4 milhões de acessos, sendo a mais acessada da rede. Destinada especialmente aos educadores do Estado de Minas Gerais (Brasil), aos profissionais da educação básica e alunos do estado, cumpre um importante papel de ser disseminador da educação aberta.

Não há restrições para que haja publicação por parte de usuários em geral, porém, é necessário que se faça um cadastro e envio do conteúdo para ser analisado por uma curadoria da secretaria de educação do estado. Considero assim, um elemento-chave para a qualidade da plataforma e como meio seguro para uma rede de compartilhamento.

A plataforma também pode ser um espaço seguro para uma primeira tentativa de criação de um REA junto aos pares (no caso, os professores), caracterizando ser uma grande rede. Isto pode ser importante para o sentimento de pertencimento de um grupo, muitas vezes fragilizados e pouco assistidos.

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Figura 10: Plataforma Escola Interativa Minas Gerais / Escola Digital

Outro ponto que chama a atenção é a disponibilização de trinta e três ferramentas para a criação de recursos, o que instiga e contribui para que o professor se interesse mais pelo assunto.

No quesito organização e visualização, é de fácil navegação para encontro dos 6.097 recursos, sendo estes diversificados, como planos de aula, mídias diversas e temáticas específicas.

Há uma visualização primária, na página principal, que dispõe de três categorias-chave para efetuar uma busca. Mas também é possível efetuar pesquisas por meio de filtros.

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Figura 11: Plataforma Escola Interativa Minas Gerais – Pesquisa da página principal

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Figura 12: Plataforma Escola Interativa Minas Gerais – Pesquisa por filtros

Ao selecionar o recurso desejado, é apresentada uma ficha técnica com informações importantes para a escolha pelo usuário, com base em seu contexto e necessidades. É possível classificar o recurso (com pontuação por estrelas) e ainda fazer o registro com comentários. Além disso, possui a indicação da relação com a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), que deverá ser o norte pedagógico para as escolas a partir do ano de 2010.

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Figura 13: Plataforma Escola Interativa Minas Gerais – Ficha técnica do recurso

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Figura 14: Plataforma Escola Interativa Minas Gerais – Ficha técnica do recurso

A Plataforma é de licença aberta Creative Commons Atribuição 3.0, exceto para os recursos com licenças específicas, e ao acessar o recurso pesquisado (figuras 13 e 14), foi possível identificar qual a licença do próprio recurso. Mas esta indicação não está disponível para todos os casos.

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Figura 15: Plataforma Escola Interativa Minas Gerais – Licença do recurso

Ao acessar o recurso do plano de aula, verificou-se que o documento está com uma versão não editável e, dependendo da necessidade de contexto, seria necessário convertê-lo para um recurso editável. Talvez não seja uma ação conhecida por todos, o que pode dificultar tal intenção.

A plataforma também conta com um espaço de blog para interação entre os usuários. Além disso, na página principal, também há um campo de destaques para professores, diretores e alunos. Outro chamariz  da plataforma, é a disponibilidade de cursos livres diversos.

Referências

ABED (2012, Ago 31). Referatórios de objetos de aprendizagem e outros recursos educacionais [Informe digital]. Recuperado de http://www.abed.org.br/informe_digital/460.htm

Creative Commons. Recuperado de https://creativecommons.org/licenses/by/4.0/

Declaração de Cidade do Cabo para Educação aberta (2007). Recuperado de  https://www.capetowndeclaration.org/translations/portuguese-translation

Educação Aberta (2013). Recursos Educacionais Abertos (REA): Um caderno para professores. Recuperado de http://educacaoaberta.org/cadernorea

Escola Interativa (2017). [Plataforma da Rede Escola Digital]. Recuperado de https://escolainterativa.educacao.mg.gov.br/

Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular. Recuperado de http://basenacionalcomum.mec.gov.br/

Ministério da Educação. Plataforma Integrada de Recursos Educacionais Digitais [Repositório/Referatório]. Recuperado de https://plataformaintegrada.mec.gov.br/home

Nobre, A.; Mallmann, E.M. (2016). Recursos Educacionais Abertos: transposição didática para transformação e coautoria de conhecimento educacional em rede. Tecnologias da Informação em Educação, 8(2). Recuperado de http://hdl.handle.net/10400.2/6887

ONU (2015). Agenda 2030. Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. Recuperado de https://nacoesunidas.org/pos2015/agenda2030/

OER World Map. [Plataforma de interação e contribuição de REA]. Recuperado de https://oerworldmap.org/

Pereira, H.; Rosa, R.; Nobre, A. (2016). REAeduca: Revista de Educação para o Século XXI. Congresso Internacional TIC na Educação. Tecnologias Digitais e a Escola do Futuro, Lisboa. Recuperado de http://hdl.handle.net/10400.2/6877

Plano de Ação de REA (2017). 2º Congresso Mundial de REA – “REA para Educação de Qualidade Inclusiva e Equitativa: do Compromisso à Ação. Recuperado de https://etherpad.net/p/PlanodeA%C3%A7%C3%A3oLiubliana

UNESCO. Recursos Educacionais Abertos. Recuperado de http://www.unesco.org/new/pt/brasilia/communication-and-information/digital-transformation-and-innovation/ict-in-education/open-educational-resources/

UNESCO (2012). Declaração REA de Paris. Recuperado de http://www.unesco.org/new/fileadmin/MULTIMEDIA/HQ/CI/CI/pdf/Events/Portuguese_Paris_OER_Declaration.pdf

Publicado em ACE

Diário de Bordo

Avaliação em contexto de elearning

O presente diário de bordo refere-se à atividade final da UC de Avaliação em Contextos de Elearning, no ano de 2019. A proposta é apresentar reflexões sobre a realização das atividades, seus produtos e aprendizados ao longo do percurso formativo, incluindo reflexões sobre a temática, que no caso, tomo a liberdade de deixar registrada em cada atividade.

O percurso formativo

A proposta do percurso formativo contemplou quatro atividades, que tinham como objetivo o desenvolvimento das competências:

Analisar a evolução do conceito de avaliação;

Discutir a avaliação pedagógica como processo de assistência à aprendizagem;

Perspetivar a especificidade da avaliação em contextos de Elearning;

Pesquisar e analisar modelos pedagógicos de avaliação em Elearning

Analisar e caraterizar instrumentos de avaliação em contextos de Elearning;

Definir um plano de avaliação de aprendizagens em contexto de  Elearning.

A seguir, destaco cada uma das atividades e algumas reflexões, mas já deixo registrado aqui que, as atividades que seguiram em grupo, procuramos manter com as mesmas integrantes, como a maioria dos demais também o fizeram. Seguimos então Carolina, Luciana, Maria Antónia e eu, Priscila. Com essa forma de organização acredito na consistência do trabalho, uma vez que o grupo se consolida em termos de conhecimento de suas habilidades e competências, mas também pode ser um fator que fragilize o desenvolvimento de outras, já que não há rotatividade de participantes.   

Tema 1: avaliação pedagógica – atuais perspectivas

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A atividade se deu de forma individual, com leitura de um capítulo da literatura disponibilizada – A avaliação em educação: da linearidade dos usos à complexidade das práticas (p. 3-40), de Jorge Pinto, para reflexão e compartilhamento em fórum de duas ideias fortes.

O desafio inicial foi em fazer a seleção de duas ideias-chave, uma vez que o texto apresenta algumas linhas de discussão, que claro, são suplementares. Foi possível tecer um diálogo rico junto aos demais colegas, pois todos, a cada postagem, fizemos conexões e ampliamos entendimentos, além de relações com nossas práticas. Considero que foi uma primeira atividade de alinhamento, entendimento e até descobertas sobre a temática, o que foi de extrema importância para as atividades que seguiram. A base de entendimento sobre a evolução da avaliação e em como esta é crucial em favor da aprendizagem foi o ápice do diálogo e da proposta da atividade, como assim considero. 

Muitas foram as colocações dos colegas, mas quero deixar alguns pontos que me fizeram refletir mais uma vez sobre a importância da avaliação. Os eixos apresentados tocaram no ensinar, no formar e no aprender no qual a avaliação é resultado não só do saber do aluno, mas sim de um processo formativo no qual todos os envolvidos são responsáveis, co-autores e ativos no contexto da mudança em busca de melhores resultados. Além disso, houve algumas postagens sobre o que são competências e os diferentes entendimentos sobre o assunto. Fico então com o que Le Boterf (2003) considera a competência como a “[…] a disposição para agir de modo pertinente em relação a uma situação específica”. Isso precisa ter conexão com as propostas avaliativas condizentes com o cotidiano e com o social, cumprindo com suas funções.   

Acredito que o desafio é o olhar da perspectiva de Lecointe  (In Figari e Achouche, 1990, p. 11) que “considera que se a relação é o verdadeiro centro da avaliação, esta deve ser vista numa perspectiva ética, e não na perspectiva tecnicista”. 

Tema 2: avaliação pedagógica digital em contextos de Elearning

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A atividade em grupo teve como proposta o compartilhamento em um fórum de “uma apresentação sintetizando as especificidades da avaliação em contextos de Elearning e as grandes linhas de força que emergem dos 3 textos”. A partir da leitura desses textos disponíveis, optamos por iniciar a nossa escrita em um documento online colaborativo, o Google Docs. Dividimos as leituras e fomos incluindo as ideias-chave de cada literatura. Além disso, tínhamos um alinhamento constante via Whatsapp, o que facilitou muito o nosso processo.  Antes de disponibilizarmos para o grupo de estudantes, finalizamos o nosso artefato com um design diferenciado, o que contribuiu com o aprendizado de novas ferramentas, por exemplo, o que considero de suma importância para o contexto online no qual estamos inseridas. Claro que contribui também para a nossa formação contínua, uma vez que podemos usar tais novas habilidades no nosso cotidiano. O que, neste caso, cumpre também com a função da avaliação na qual é objeto de nosso estudo.

Ao compartilhar o nosso trabalho, alguns colegas sentiram falta de mais elementos de conteúdos no nosso material. A professora também sinalizou este “ponto frágil”, porém acredito que a proposta foi cumprida uma vez que a síntese também é uma habilidade que precisa ser desenvolvida e exercitada. Aproveito para dizer que o papel da professora Lúcia e da Elizabeth foram de extrema importância quanto aos feedbacks, pois nos fizeram refletir sobre alguns elementos que ainda poderiam fazer do nosso produto melhor, além de contribuir com a nossa aprendizagem e do coletivo.

A discussão junto aos colegas mais uma vez foi rica, pois a cada trabalho era possível identificar elementos suplementares às leituras. Destaco minha interação com o Hugo, quando falamos sobre os mapas conceituais e no uso de rubricas como forma de alinhamento e explicitação das expectativas avaliativas para esse exemplo. Acredito muito nesse tipo de dinâmica e hoje consigo perceber essa importância no processo de aprendizagem, no qual a avaliação se dá em diferentes perspectivas e não somente na classificação, a forma mais usual no contexto da educação (presencial e online).

O meu maior aprendizado nesta atividade se deu na reflexão e entendimento da necessidade de uma mudança de paradigma: do psicométrico ao edumétrico. O olhar para a avaliação como uma oportunidade de incidir sobre o erro que fica explícito no exercício de resolução de problemas do cotidiano, por meio de ambientes online e ferramentas que permitam o experimento, que haja a confiança entre os pares e que os e-tutores, e-professores e e-formadores (tomo a liberdade de uma licença poética de uma discussão da UC de Processos Pedagógicos em elearning) sejam os líderes que inspiram o percurso formativo no qual a avaliação é parte do processo de aprendizagem e não um instrumento de punição e exclusão.  

navegar_internet (2) O acesso ao nosso trabalho se encontra no link: https://drive.google.com/file/d/1hWNSJzAKsA7isJWiVVvt3nF8aJqNSJWb/view

 

Tema 3: instrumentos de avaliação pedagógica em contextos de Elearning

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A proposta desta atividade era de apresentar um “caso real de avaliação alternativa com recurso a ferramentas digitais” fundamentado em literaturas disponíveis. A partir de um artefato digital produzido pelos grupos, a atividade seguia para compartilhamento em fórum de discussões cumprindo com a proposta de desenvolver a competência de “analisar e caracterizar instrumentos/estratégias de avaliação alternativos em contextos do elearning”.  

O grupo escolheu trabalhar com o e-portefólio e, logo no início da divisão dos grupos, foi muito interessante ter o apoio dos demais colegas para o início do trabalho. Considero uma atitude enriquecedora para todos, uma vez que a confiança e o apoio no percurso de aprendizagem é também um fator determinante, afinal, estamos em uma comunidade.

O desafio foi grande pois cada uma de nós tínhamos um entendimento sobre o que deveria ser considerado para o exemplo do e-portefólio, incluindo os diferentes contextos vivenciais, mas, superados os primeiros entraves, o trabalho seguiu sendo estruturado no Google Docs e em constante diálogo no Whatsapp. A partir da finalização do que entendemos ser o artefato final, seguimos para uma proposta de design mais arrojado, porém, tivemos alguns entraves na disponibilização dos links dos vídeos, por exemplo. Prontamente, assumimos a postura de disponibilizar o documento base e mais simples, mas que não comprometesse com o acesso e proveito dos demais colegas, no momento da discussão no fórum alargado.

Também foi uma experiência rica já que havia diversidade de recursos explicitados, como o Wiki, o fórum, o mapa conceitual e o e-portefólio. Apesar de já ter tido contato com todos os recursos, foi muito importante aprofundar nas suas especificidades para que, no momento de uma escolha de recursos, em um percurso formativo, haja a consciência sobre o propósito a que se destina e não seja uma mera escolha de diversidade de instrumentos online.

O aprofundamento com os onze parâmetros elencados para a Wiki como forma alargada de avaliação foi o que me chamou a atenção. Fato que culmina no uso de rubricas de forma a explicitá-los e foi mais uma forma de verificar o seu uso, como iniciado nesta UC. Já sobre os mapas conceituais foi importante a distinção entre estes e os mapas mentais, pois muitas vezes são usados de maneira errônea, mas com o mesmo significado. Fez-me lembrar de uma conversa estabelecida entre mim e o Hugo sobre este assunto. Acredito nessa construção coletiva de conhecimento e que faz sentido para o nosso aprendizado. O próprio fórum tão usado nos cursos online, que pode ter uma potencialidade pouco explorada pelos agentes de aprendizagem, seja o professor, o tutor e até mesmo o aluno. Acredito que na nossa turma, conseguimos tirar o melhor proveito desse recurso, uma vez que a nossa interação vai para além de respostas ao enunciado da atividade, pois o aproveitamos enquanto uma comunidade de práticas elevando nossos patamares de aprendizagem. Por último, o e-portefólio, recurso estudado pelo grupo a que atuei, que ao estudar o caso pude compreender ainda mais o seu propósito. Ao aluno é dada a oportunidade de reflexão sobre o seu percurso de aprendizagem, o que o permite identificar oportunidades para novos caminhos; ao professor/tutor/formador permite que reflita também sobre a sua didática e na possibilidade de novos rumos, incluindo a identificação das necessidades formativas; à instituição pode ser um instrumento rico de informações que podem refletir sobre mudanças conceituais e estruturais, por exemplo, da oferta de seus cursos, uma vez que na leitura da narrativa dos alunos é possível identificar seu caminho de aprendizagem, modelos de estudo, habilidade e competências desenvolvidas ou não. É, na verdade, um recurso para exercício ao longo da vida e que ainda precisa se melhor aproveitado!          

navegar_internet (2) O acesso ao nosso trabalho se encontra no link: https://docs.google.com/presentation/d/18gHh8Q0VntOfm4KFZznE8AfbJDiKBjj772F3H2bLxA4/edit#slide=id.g576027f50f_1_0

Tema 4: procedimentos e critérios de avaliação pedagógica num contexto online

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A atividade mais desafiadora foi esta, pois houve entendimentos diversos sobre a proposta da atividade. Nesse sentido, o diálogo ampliado com o coletivo trouxe um alinhamento das expectativas da tarefa. Assim, o grupo seguiu com uma conversa sobre quais caminhos trilhar. Interessante também a diversidade cultural entre nós: Brasil e Portugal, demonstrando que é possível, por meio de um curso online como este, chegarmos ao denominador comum. Foi rica a troca de saberes até delimitarmos a nossa proposta formativa.  A atividade propunha a “definição de um módulo de formação (tema ao critério do grupo) com especial relevo para o plano de avaliação: descrição detalhada das atividades e procedimentos de avaliação programadas”. Partindo dessa ação, a proposta era a de compartilhar o documento no fórum para que os colegas fizessem sugestões de melhorias para posterior ajuste, por parte do grupo, cumprindo com as duas entregas.

O grupo seguiu para a proposta de formação de quatro módulos sobre a prática do coordenador pedagógico, temática que considero importante no contexto educacional brasileiro e que Antónia, em atenção ao contexto português, também trouxe elementos fundamentais e convergentes com a temática. Um adendo que faço aqui é que, para esta atividade, tivemos a baixa da Carolina e da Luciana, devido a questões particulares. Assim, seguimos Antónia e eu na caminhada. 

O desafio seguiu para a estruturação da proposta avaliativa e na distribuição de valores. Propomos fóruns, Wiki, a avaliação por pares e o e-portefólio como instrumentos avaliativos, fazendo remissões ao que estudamos anteriormente. Acreditamos ser uma proposta enriquecedora para os profissionais da área, se levarmos em consideração o paradigma edumétrico, já estudado.

No compartilhamento com os colegas foi possível perceber pontos de atenção e de melhorias, inclusive saliento o feedback minucioso da professora Lucia, principalmente em atenção às competências. Percebi que foi um ponto de atenção comum aos grupos e que se faz necessária uma atenção especial, já que, logo no início desta UC o tema das competências apareceu com destaque em alguns momentos. A professora Lucia ainda nos deixou um comentário valioso e que acredito que seja um primeiro ponto importante a se atentar: “o que se avalia (produtos, processos), como se avalia (que instrumentos se usam), quem avalia (quem são os avaliadores? O professor? O aluno? Os pares?, Todos eles?) e como se avalia (ou seja com que critérios se avalia). Claro que não se resume a isto uma proposta formativa, mas já pode ser um primeiro brainstorming para posterior desenvolvimento mais minucioso.

O que me chamou mais a atenção foi o Modelo PrAct no qual Pereira, Oliveira e Tinoca (2010) apresentam uma visão holística da avaliação em quatro dimensões: praticidade, consistência, autenticidade e transparência). Visão esta que hoje faz sentido ao meu ver com a cultura da avaliação e não a do teste, na qual estava mais acostumada a desenvolver e a ter contato. 

“Na sociedade de conhecimento, as exigências já não são as da sociedade industrial que determinaram a criação do modelo de Escola Transmissiva que ainda hoje prevalece, em larga medida”. (Amante, Pereira e Oliveira, 2017). Ainda temos esse desafio de estruturar modelos avaliativos convergentes com o desenvolvimento de competências, tão necessária em tempos atuais.

Acredito que se cumpriu o propósito do desenvolvimento das competências elencadas ao longo desse percurso formativo, principalmente quando se trata do uso da avaliação em assistência à aprendizagem.

Por último, mas não menos importante, foi a avaliação por pares sugerida no final da UC. No início, recebida com um pouco de desconforto, mas após os esclarecimentos sobre a sua importância, foi possível perceber o valor desse recurso ao retomar cada atividade em observância aos contributos de cada estudante. Foi possível perceber e identificar o fio condutor de cada postagem como forma a tecer um caminho construtivo naquela comunidade de aprendizagem. Um exercício para o nosso cotidiano que é pouco exercitado, mas que muitas vezes está embutido em práticas mais veladas.

 

Publicado em PPE

e-tutor? e-professor? e-formador?

tutor

12030_18_01 – Processos Pedagógicos em eLearning
Docente: Lina Morgado
Junho de 2019
Equipa: Carol Vieira, M. Antónia Brandão e Priscila Pires

A designação não merece unanimidade, mas parece haver acordo que as ideias tradicionais sobre o papel do professor e do tutor em contexto de educação a distância, já se tornaram ultrapassadas, frente às novas exigências no campo do ensino e da aprendizagem. Era comum associar a figura do tutor a alguém que não ensinava, pois essa função ficava a cargo dos materiais produzidos, como “pacotes autossuficientes sequenciados e pautados, que finalizava com uma avaliação semelhante em sua concepção de ensino” (Litwin, 2001 como citado por Machado e Machado, 2004). 

A discussão sobre a educação a distância tem vindo a  ganhar relevo ao longo dos últimos anos, principalmente pelos avanços das tecnologias da informação e comunicação. O facto é que, para este último ponto, ressaltam aos olhos as relações interpessoais, seja nas instituições disseminadoras de cursos online, envolvendo professores e tutores, autores e aprendentes, materiais didáticos e, até mesmo, com e entre os aprendentes, de modo a organizarem um percurso de aprendizagem em rede.

Diante disso, e das novas concepções de ensino e aprendizagem, a função, a prática e o papel do professor precisam ser repensados para que não haja reproduções do fazer pedagógico de um ambiente presencial para o online, por exemplo, e até mesmo em relação ao único ator como detentor do saber. 

É necessário assumir uma nova condição de co-ator, mediador, facilitador e um incentivador das práticas dos aprendentes, desenvolvendo também competências tecnológicas e sociais, de forma a oportunizar o percurso individual e coletivo. Cabe ainda às suas funções, a responsabilidade de planear, organizar, implementar, orientar e avaliar a ação de formação ao usar um conjunto de estratégias pedagógicas necessárias para lhes assegurar uma experiência de aprendizagem enriquecedora, apoiando as interações que ocorrem no processo. Interações essas que, segundo Pierre Lévy (2000, como citado por Machado e Machado, 2004), deslocam a figura do “professor transmissor de conhecimentos”, para àquele que valoriza a parceria no desenvolvimento cognitivo, “elaborando-se situações pedagógicas onde as diversas linguagens estejam presentes (…)” como “instrumento fundamental de mediação”, além de serem “as ferramentas reguladoras da própria atividade e do pensamento dos sujeitos envolvidos”. 

Um dos aspetos importantes para essa discussão é o alinhamento da proposta pedagógica à ação da tutoria da sala de aula virtual, para que se cumpra o vértice da orientação, da docência e da avaliação. 

“o tutor a distância é também um docente e não simplesmente um animador ou monitor neste processo, e muito menos um repassador de pacotes instrucionais. Este profissional, como mediador pedagógico do processo de ensino e de aprendizagem, é aquele que também assume a docência e, portanto, deve ter plenas condições de mediar conteúdos e intervir para a aprendizagem. Por isso, na prática, o professor-tutor é um docente que deve possuir domínio, tanto tecnológico quanto didático (Bruno e Lemgruber, 2010, p. 75, como citado por Safanelli, Andrade, Brito, Klaes, Eyng e Ulbricht, 2019).”

Outro aspeto a considerar é a formação desse agente, pois além de ter participação na proposta pedagógica, precisa ainda ter uma visão sistêmica e de liderança, já que é corresponsável pela atitude protagonista dos aprendentes. Nesse sentido, é importante que ele invista em constante aprendizagem, esteja ao serviço do processo educacional, tenha atitude e espírito de equipa, invista no potencial de outros e seja seguro de si. Isso ratifica a necessidade de investimento nas formações de tutores para que essas atitudes também sejam desenvolvidas, considerando o cognitivo, a intra e a interrelação dos sujeitos com os saberes e com os pares, que vai para além da competência técnica. Além de conhecer os conteúdos dos cursos, ele precisa estar atento ao grupo de aprendentes, ao considerar a equidade, com competência ética e emocional. Collins e Berge (1996, apud Palloff; Pratt, 2002, como citado por Machado e Machado, 2004) classificam a função do professor online em quatro áreas: pedagógica, gerencial, técnica e social.

Assim, é importante que, nas instituições de ensino, haja um planeamento coerente que contemple o diálogo entre os diferentes profissionais, desde a produção de conteúdos, passando pelo plano de tutoria, até aos valores da própria instituição, a escuta dos aprendentes, a capacitação de e-tutores e a sua valorização.  

A concepção e planeamento dos cursos é fundamental para a realização de ações de formação, sendo apontada a flexibilidade na gestão do tempo e do ritmo de trabalho por parte dos formandos, como uma das grandes vantagens dos cursos em regime de e-learning. O aspeto mais valorizado pelos alunos em ações formativas é o feedback, ou seja, a disponibilidade de resposta e comentário dos e-tutores. Esse é um suporte formativo pode influenciar positivamente na satisfação dos aprendentes, inclusive na baixa taxa de desistência em um curso. 

Assim, a temática da importância do tutor não é recente no contexto da educação a distância, e os mais recentes desenvolvimentos na área, implicam novos modelos e novas visões sobre a tutoria e o seu papel, inclusive frente aos novos rumos da sociedade.

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“A vida, no que tem de melhor, é um processo que flui, que se altera e onde nada está fixo.” Carl Rogers

Referências

Rodrigues, E. (2004). O papel do e-formador (formador a distância). In Dias, A. A. S., Gomes, M. J.(Coord). “e-Learning para e-Formadores”. Guimarães: Tecminho. ISBN 972-8600-15-1. p. 73-98. Disponível em:  http://hdl.handle.net/1822/6412

Nascimento, L. do, Leal, M., Spilker, M., Morgado, L. (2015). Tutoria e Tutor em Educação a Distância: Retratos do Presente versus Visões para o Futuro. EAD EM FOCO, 5(1). Disponível em: https://doi.org/10.18264/eadf.v5i1.296 

Machado, L.D., Machado, E.C. (2004). O papel da tutoria em ambientes de EAD. 11° Congresso Internacional de Educação a Distância, Salvador, Bahia.  Disponível em: http://www.abed.org.br/congresso2004/por/htm/022-TC-A2.htm

Safanelli, A. S., Andrade, D. F., Brito, J., Klaes, L. S., Eyng, L.M., Ulbricht, V. R. (2019). Educação a Distância: as características do líder aplicada ao papel do tutor no processo de ensino aprendizagem. Revista Ibérica de Sistemas e Tecnologias de Informação, Lousada, 17, 39-47.  Disponível em: https://search.proquest.com/openview/77d7d0f4e35e4177b760c2cfb29b849e/1?pq-origsite=gscholar&cbl=1006393

Publicado em PPE

A pedagogia do eLearning

mPeL_12030_18_01 – Processos Pedagógicos em eLearning
Professora: Lina Morgado

Temática 1 – A pedagogia do eLearning

Bibliografia anotada

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Machado, L.D., Machado, E.C. (2004). O papel da tutoria em ambientes de EAD. 11° Congresso Internacional de Educação a Distância, Salvador, Bahia.  Disponível em: http://www.abed.org.br/congresso2004/por/htm/022-TC-A2.htm

O presente trabalho apresenta aspectos relevantes sobre o papel do professor e do tutor em contexto de educação a distância, uma vez que, a ideia tradicional sobre ambos já se tornou ultrapassada frente às novas exigências no campo do ensino e da aprendizagem. Diante disso, a função, a prática e o papel do professor precisam ser repensados para que não haja reproduções do fazer pedagógico de um ambiente presencial para o online. É necessário assumir uma nova condição de ator mediador, facilitador e um incentivador das práticas dos aprendentes, desenvolvendo também competências tecnológicas e sociais, de forma a oportunizar o percurso individual e coletivo. Um dos aspectos importantes para essa discussão é o alinhamento da proposta pedagógica à ação da tutoria da sala de aula virtual para que se cumpra o vértice da orientação, da docência e da avaliação. A temática é relevante para que, nas instituições de ensino, haja um planejamento coerente que contemple o diálogo entre os diferentes profissionais, desde a produção de conteúdos, o plano de tutoria, as valores da própria instituição, a escuta dos aprendentes, a capacitação de tutores e a sua valorização.

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Safanelli, A. S., Andrade, D. F., Brito, J., Klaes, L. S., Eyng, L.M., Ulbricht, V. R. (2019). Educação a Distância: as características do líder aplicada ao papel do tutor no processo de ensino aprendizagem. Revista Ibérica de Sistemas e Tecnologias de Informação, Lousada, 17, 39-47.  Disponível em: https://search.proquest.com/openview/77d7d0f4e35e4177b760c2cfb29b849e/1?pq-origsite=gscholar&cbl=1006393

A discussão sobre a educação a distância vem tomando contornos ao longo dos anos, principalmente pelos avanços das tecnologias da informação e comunicação. Fato é que, para este último ponto, ressalta aos olhos as relações interpessoais, seja das instituições disseminadoras de cursos online, pelos professores e tutores, pelos materiais didáticos e até mesmo com os aprendentes, de modo a organizarem um percurso de aprendizagem em rede. Por meio de revisão bibliográfica qualitativa, os autores buscaram características no processo pedagógico de ensino e aprendizagem na EaD, no qual se considera o professor-tutor um agente essencial, pois além de ter participação na proposta pedagógica, precisa ainda ter uma visão sistêmica e de liderança, pois é co-responsável pela atitude protagonista dos aprendentes. Nesse sentido, é importante que ele invista em constante aprendizado, esteja a serviço do processo educacional, tenha atitude e espírito de equipe, invista no potencial de outros e seja seguros de si. É importante então que haja investimento nas formações de tutores para que essas atitudes também sejam desenvolvidas, considerando o cognitivo, a intra e a inter-relação dos sujeitos com os saberes e com os pares, que vai para além da competência técnica.

Publicado em MED

Teóricos da EaD

Debate sobre os teóricos de educação a distância

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      Após trabalho realizado em equipe no qual cada uma discorreu sobre um teórico, a atividade seguiu para um debate coletivo e, para encerrar as tarefas propostas, a sugestão foi:  

  • síntese do vosso pensamento em relação aos vários autores:

      Ao mesmo tempo que estudamos teóricos que já iniciaram com suas experimentações sobre educação a distância mesmo antes das tecnologias digitais na web, os mesmos estudos continuam a fazer sentido e pautando a aprendizagem a distância, hoje com a utilização de uma rede cibernética, afinal, são novos tempos. Para lançar mão de algumas ideias sobre os teóricos estudados até então, inicio com o artigo 80 da Lei 9.394, de 1996, que regulamenta o ensino a distância no Brasil:

 ‘’Art. 1º. Para os fins deste Decreto, considera-se educação a distância a modalidade educacional que busca superar limitações de espaço e tempo com a aplicação pedagógica de meios e tecnologias da informação e da comunicação e que, sem excluir atividades presenciais, organiza-se segundo metodologia, gestão e avaliação peculiares.’’

      A partir dessa perspectiva também legal, é possível identificar sobre as contribuições dos teóricos: O olhar de Holmberg para os materiais autoinstrucionais no qual a organização de conteúdos é fator essencial para que o aluno se sinta motivado e desafiado para aprender e que o faça buscar novos meios, recursos e sentidos, por meio da sua autonomia, como aqui destaca Wedemeyer.  O contributo de Anderson sobre a importância de ambientes de aprendizagem eficazes (Teoria da aprendizagem – lentes de Bransford) que consideram a comunidade, o conhecimento, o estudante e o processo de avaliação agregadas às características da internet e na potência da comunidade de inquirição no qual a aprendizagem se dá pela presença social, cognitiva e de ensino. Além disso, esse mesmo autor nos faz refletir sobre as possibilidades de conteúdos, ferramentas, interações e organização institucional diversificadas frente as necessidades dos estudantes, em todos os tempos pois não estamos falando de um elemento estático, afinal a aprendizagem é constante. Por fim, mas não menos importante, Moore deixa sua marca ao tratar da distância transacional no qual a redução do impacto da distância temporal e espacial se dá pelo diálogo entre os envolvidos ao longo de um curso de modo que haja uma sinergia convergente para o favorecimento do ensino e aprendizagem.

  • afinal qual o contributo de Holmberg para o desenvolvimento do que é o ensino a distância hoje?

      O contributo que Holmberg deixa para a educação a distância com a “Conversação Didática Guiada” é a interação do estudante com o conteúdo ou tema de estudo. Interação esta conhecida como “conversa didática interna”. É um processo de interação intelectual que o conduz para as mudanças necessárias para a alteração das estruturas cognitivas de sua mente, como um caminho independente. Essas contribuições impactam no desenvolvimento de materiais auto-instrucionais, nos quais estes precisam ser desenhados de forma a facilitar o diálogo do aluno com o conteúdo, além de serem inspiracionais para o seu caminho de aprendizagem. É preciso envolver o estudante para que ele se sinta cada vez mais convidado a alcançar patamares mais elevados de conhecimento. Isso também favorece as interações entre os alunos e os professores, pois o diálogo amigável é um catalizador de experiências que pode aguçar a criatividade e fazer sentido entre a temática e o cotidiano.

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